Todo bairro tem uma quadra. Quase nenhum tem uma quadra funcionando. A distância entre as duas frases é o tamanho do problema.
CONTEÚDO PRODUZIDO COM IA
Este texto foi produzido com auxílio de inteligência artificial, a partir de fatos conferidos da trajetória e das propostas do candidato, e revisado pela equipe da campanha antes da publicação.
Existe um jeito confortável de falar de esporte na política: elogiar o atleta que deu certo. É barato, rende foto e não compromete ninguém com nada.
O problema é que o atleta que deu certo é a exceção que sobrou de um funil enorme — e quase toda a conversa pública acontece na ponta do funil, nunca na entrada.
A entrada é a quadra do bairro, o campo de várzea, o ginásio da escola no fim de semana. É ali que um adolescente descobre se gosta, se tem jeito e se aquilo pode ser mais do que passar a tarde.
Só que essa entrada costuma estar trancada. Quadra sem manutenção, sem iluminação, sem bola, sem professor e sem horário aberto no fim de semana não é equipamento público: é um terreno cercado com o nome de equipamento público.
Quando isso acontece, o Estado não deixou de investir em esporte de alto rendimento. Ele deixou de investir em adolescente com o que fazer à noite.
Base não é categoria de idade. É a estrutura mínima que faz alguém conseguir treinar com regularidade. São quatro coisas, e nenhuma é cara perto do custo de não fazer.
A primeira é o espaço aberto e cuidado: quadra com manutenção, luz e horário de funcionamento que inclua noite e fim de semana. A segunda é quem ensine — professor ou treinador pago, não voluntário eterno. A terceira é chegar até lá: transporte e material, porque a maioria desiste no custo de ir, não no treino. A quarta é ter o que disputar: campeonato local, calendário, adversário.
Sem as quatro, o que existe é um espaço bonito na foto de inauguração que volta a fechar seis meses depois.
Esporte de base entrega três coisas ao mesmo tempo, e só uma delas é atleta.
Entrega rotina para quem está na idade em que rotina decide muita coisa. Entrega convivência num lugar onde alguém adulto está olhando. E entrega uma ideia difícil de ensinar de outro jeito: a de que treino repetido muda resultado. Quem aprende isso aos quinze não desaprende depois.
Também entrega trabalho. Professor, técnico, árbitro, preparador, fisioterapeuta, organizador de campeonato, quem cuida do espaço. Esporte é cadeia produtiva, exatamente como a cultura — e é tratado com a mesma distração.
Programa de esporte costuma ser medido por quadra entregue. Deveria ser medido por quadra em uso: quantas horas por semana, quantos adolescentes por turma, quantos continuaram seis meses depois.
São perguntas diferentes, e só a segunda diz se a política funcionou. Enquanto o indicador for obra inaugurada, vamos continuar comemorando número que não muda a vida de ninguém.
Eu aprendi na pista e no ringue o que disciplina faz com uma pessoa. Não dá para exigir disciplina de um jovem e trancar o portão do único lugar onde ele poderia praticá-la.
ELEICAO 2026 GUILHERME KAUE CASTANHEIRA ALVES DEPUTADO FEDERAL
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MC Gui é o nome artístico de Guilherme Kauê Castanheira Alves.